UM CONVITE ABRANGENTE – Na escola de Jesus

O convite de Jesus em Mateus 11:28-30 tem como pano de fundo a relação entre rabino (mestre) e talmidim (palavra hebraica no plural que significa discípulos), de sua época. No início do cap.11, Jesus comenta sobre a rejeição do povo em relação a ele e a João Batista (vs. 16-19). Depois, denuncia algumas cidades por onde passou realizando a maioria dos seus milagres, e onde também foi rejeitado (vs. 20-24).

Na sequência, Jesus louva a Deus e entende que esta rejeição havia sido planejada pelo Pai, que escondeu as verdades sobre o reino de Deus e sobre a relevância dos milagres de Jesus dos sábios e cultos, e as revelou aos pequeninos (v.25, NVI). Os “sábios e cultos” são pessoas autossuficientes, as que se consideravam sábias demais para serem ensinadas; os “pequeninos”, aqueles que “são dependentes e amam ser ensinados”.[1]

É neste contexto que Jesus, aquele que conhece o Pai melhor do que ninguém, e que o revela só àqueles a quem quiser revelar (v.27), faz o seu convite: Venham a mim… aprendam de mim (v.28,29). Jesus compara o cristianismo com uma escola em que ele é o professor. Com este convite, ele mostra estar recrutando seguidores que estejam dispostos a aprender. Não os “cultos e sábios“ (no sentido apresentado), mas os que desejam, de fato, ser ensinados. Quem são estes?

 Quem está apto a matricular-se na escola de Cristo? Aqui começa uma das grandes diferenças entre Jesus com os mestres de sua época. Os rabinos também recrutavam discípulos para aprenderem deles. Segundo Kivtz, acontecia mais ou menos assim: Os meninos de Israel iniciavam o estudo da Torá (os primeiros cinco livros da nossa Bíblia) aos 6 anos. Aos 10 anos, no final do primeiro ciclo de estudos, eles já tinham decorado toda a Torá. [2]

Kivitz também diz que, a partir daí, alguns voltavam para casa para aprender o ofício da família, contudo, os mais destacados, continuavam na escola judaica, num segundo estágio, sob a orientação de um rabino. Esses meninos extraordinários eram chamados de talmidim. Aos 12 anos já haviam decorado todas as Escrituras. Aos 14 já debatiam a tradição oral. [3] Entre 14 e 15 anos só os melhores entre os melhores ainda estavam estudando, geralmente aos pés de um rabino famoso.

Quem eram então os talmidim (discípulos)? Os meninos extraordinários. Contudo, o convite de Jesus é para todos: Vinde a mim, todos… (Mt 11:28). O convite não é só para extraordinários; é para gente comum. Esta verdade é vista na escolha dos doze discípulos. Nenhum estava entre a classe intelectual da época. Com certeza, aos 10 anos, depois de decorar a Torá, voltaram para casa para aprender o ofício da família, pois não se destacaram nos estudos. Na escola de Cristo, todos podem se matricular. O curso dura a vida toda.

 Não importa quem você é, sexo, idade, classe social, “o momento da vida em que você está, não importa seu passado (…). Jesus está chamando você para andar com ele e ser um de seus discípulos”.[4] E por favor, se você já é cristão a anos, não pense que o convite não serve mais para você! Nesta escola não há formaturas aqui nesta vida. A duração do curso é a vida toda!

 


[1] Carson (2010:326).

[2] Kivitz (2012:7).

[3] Ibid.

[4] Ibid.

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