A cultura do estupro

O UOL publicou a matéria “Novos casos revelam o quanto a cultura do estupro impera no país”. Lá, a repórter da Folha de São Paulo, Claudia Colucci detalha casos recentes de estupros coletivos. Os dois últimos contam o caso de uma menina de 16 anos, estuprada por 30 homens na sexta feira (20/05) no Rio de Janeiro e, na mesma data, no Piauí, outra menina de 17 anos sofreu a mesma barbárie, sendo violentada por 5 homens. A jornalista defende que existe no país uma cultura do estupro. Essa cultura baseia-se em culpar a vítima: “Ela estava se oferecendo toda bêbada” ou “com aquela saia curta, queria o que?” e tantas outras frases covardes ditas por abusadores e falsos moralistas. Leia o texto para obter mais informações sobre o assunto.

Quero refletir sobre outros detalhes: o que nos choca nessas notícias? Se você disser que é a quantidade de pessoas que praticaram a violência, talvez, sem ao menos perceber, está sendo conivente com a tal cultura do estupro. É bom lembrar, desde já, que se um homem pratica sexo com uma mulher, seja qual for a sua idade, sem consentimento ou sem que ela esteja no domínio de suas faculdades mentais, seja por drogas ou bebida, ele é um estuprador, é uma violência cometida, um crime grave.

Outro aspecto importante e mais delicado: o quanto a pregação contra o pecado colabora para essa cultura? (se você que está lendo não é evangélico, por favor, leia até o final, antes de ficar bravo!). A Palavra de Deus diz que “um abismo chama outro abismo” (Salmo 42.7) e também diz que “o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6.7). O primeiro texto pode ser utilizado para dizer, por exemplo, que se alguém está bêbado (um abismo) pode acontecer de ser violentado (outro abismo)? O segundo texto pode ser utilizado para dizer que se estava de saia curta (plantou) pode ser violentada (colheu)?

Entendo que NÃO! O evangelho não nos autoriza fazer essa relação. A violência doméstica ou o estupro nunca pode ser visto como uma justa correção para uma “pecadora”. Isso é injusto, imoral, covarde e insano! Leia o verso 8 do Salmo 42: “contudo, o Senhor mandará a sua misericórdia de dia, e de noite sua canção estará comigo…” Na poesia em questão o autor está entristecido e depressivo, sendo assim, são abismos emocionais que o abalam e o afunda mais em dor e desespero e, na sequencia, ele conta com a misericórdia de Deus! O texto não trata de pecado, mas de dores emocionais. As meninas de 16 e 17 anos sim, são alvo do texto. Agora, dores emocionais profundas e, porque não dizer, inesquecíveis, serão abismos profundos levando-as a crer que estão sozinhas e desamparadas, mas elas podem ser alcançadas pela misericórdia de Deus para lhes devolver a alegria da vida e a segurança para o futuro.

Agora, por fim, olhemos para Gálatas 6 que nos apresenta a “lei da colheita” e veja o que diz os versos seguintes ao 7: “Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos…” Aliás, nesse caso vale ler desde o verso 1. Leia com honestidade e você vai ver que quem está previsto nesse texto é aquele que se diz moral e é imoral. O evangelho é vida, não morte. O evangelho é cura, não mais dores e ferimentos. O evangelho trata-se de fazer o bem e não justificar o mal pelo possível erro de seja quem for.

Não contribua para a cultura do estupro. Rejeite explicações baseadas em textos isolados para culpar uma vítima. Basta perguntar se Jesus estaria do lado das duas meninas ou dos 35 homens nesses casos. Eu fico do lado de Jesus. E você?

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