Sobre os boatos que a gente espalha

“Descoberta a cura para o diabetes”
“Bebê com câncer no sangue vai ganhar R$1 por compartilhamento no WhatsApp”
“Menina que morreu em creche de Janaúba fez vídeo tocando teclado dias antes”
“Brasil vai receber 13 navios com refugiados e está criando cidade para abrigá-los”

O que há em comum nessas frases extraídas de conversas que recebemos diariamente nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp? Acertou quem disse que são falsas. Agora, levante a mão quem nunca as recebeu!

Pois é, gente. Esse assunto está ficando sério e tem tirado o sossego de muita gente boa que frequenta grupos de mensagens instantâneas ou simplesmente usa esse tipo de ferramenta digital para ampliar o acesso aos amigos e familiares distantes ou mesmo para fins profissionais.

Se você é um dos que espalham mensagens ou correntes do tipo “compartilhe com dez pessoas e alguém doente vai receber dinheiro ou ajuda”, saiba que a chance de estar passando uma mentira adiante é enorme.

A coisa é tão grave que já existem projetos de lei para tornar crime o compartilhamento de notícias falsas, que preveem a aplicação de multas e até medidas de restrição de liberdade. França e Brasil lideram as iniciativas nesse sentido, especialmente preocupados em informações que são disseminadas com objetivos políticos.

Não é para menos. Segundo entrevista publicada na revista Veja, no ano em que se realizam as eleições presidenciais com resultado imprevisível, 83% dos brasileiros já se preocupam com a avalanche das notícias falsas que circulam na Internet (confira aqui: https://veja.abril.com.br/revista-veja/a-ameaca-das-fake-news/).

Os alvos das chamadas fake news (notícias falsas, em bom português) são, geralmente, as autoridades políticas e religiosas, os artistas da televisão e da música e os jogadores de futebol. Mas não pense que se restringem ao grupo das pessoas célebres. Pequenas empresas e grandes corporações, empresários e até mesmo pessoas comuns são vítimas de publicações caluniosas, promovidas quase sempre com o propósito de auferir algum resultado, seja com o objetivo de detonar a imagem da concorrência, em benefício próprio, ou simplesmente por mera diversão.

Quando eu era garoto, ouvia dos adultos que a coisa mais desagradável era ter amigo fofoqueiro. Era o tipo de gente de quem todo mundo queria manter distância.

Hoje, o chato de plantão é aquele “amigo virtual” que enche o celular da gente de coisas inúteis e duvidosas. Haja paciência!

Se você é um desses, tenha certeza de que já foi, está sendo ou será bloqueado em breve de seu ciclo de relacionamentos virtuais.

Um dos efeitos negativos da prática reiterada de espalhar notícias falsas é que, na mesma enxurrada navegam também as informações verídicas e importantes que deveriam merecer nossa atenção. Para citar um exemplo recente, há alertas importantes sobre cuidados para evitar a contaminação com o vírus que transmite a febre amarela. Isso não é boato e é uma informação útil e deve, com toda certeza, ser disseminada.

Mas, como saber qual é boa e válida e qual deveria simplesmente ser descartada? No que devemos acreditar num contexto que já nos apresentou de tudo um pouco: golpe em aposentado, tentativa de extorsão, vírus de computador e de celular, roubo de senha, exposição da intimidade, promessa de enriquecimento e até mesmo cura milagrosa e dinheiro fácil?

Eis uma receita simples, praticada há anos pelos bons jornalistas e outros escritores que têm o mínimo de respeito à própria reputação: confira se a informação é procedente e verdadeira, especialmente aquelas atribuídas a outras pessoas, antes de sair espalhando. Não é difícil e não é pedir muito. As pessoas a quem chamamos de amigos, ainda que virtuais, merecem esse tratamento respeitoso.

Tenha em mente que há pessoas com baixo ou nenhum filtro para essas coisas, que simplesmente acreditam em tudo o que leem. Outras, ainda, mesmo desconfiando passam a informação adiante e, talvez esperando uma absolvição futura, acrescentam: “não sei se é verdade, mas resolvi compartilhar”.

Se não sabe, cara-pálida, então não compartilhe. Quem espalha boatos se torna cúmplice daquele que mentiu primeiro e é um sério candidato a passar vergonha ao descobrir que foi enganado e enganou outras pessoas.

Agora, se você é o mentiroso “original”, sugiro que leia o texto escrito pela Esther Braga (que pode ser conferido aqui: http://fumap.portaliap.org/a-mentira-nao-liberta/). Posso ouvir um amém?

Por falar na Esther, que é paraense e sabe apreciar as delícias culinárias daquele maravilhoso estado, um dia desses recebi uma mensagem que dizia: “Pesquisadores afirmam que tapioca pode matar”. Fiquei indignado! Tapioca pode matar? Corri pra internet pra checar a informação e, obviamente, era apenas mais um boato. Pensei: só falta agora falarem mal do açaí, da pupunha, do cupuaçu, do taberebá, do murici e do tambaqui e do pastor da minha igreja!. Fala sério!!

Parem já com isso!

***

GLOSSÁRIO INFORMAL

Cara-pálida: Maneira irônica de perguntar ou se referir a alguém que acha que tem razão no que diz. Pessoa sem noção do tempo, que não pensa antes de falar bobagens. Maneira como os índios se referiam aos invasores norte-americanos.

Fofoqueiro: Pessoa que, talvez por falta do que fazer, gosta de falar da vida alheia; que gosta de tecer comentários, em geral maldosos e nem sempre verdadeiros, a respeito de terceiros. Quem conta os segredos que lhe foram confiados; falso. Ele continua sendo “persona não grata”, agora ao lado de quem espalha boatos e correntes na internet.

Amizade virtual: mal necessário contemporâneo que, na falta do relacionamento presencial, supre parcialmente a necessidade que o ser humano tem de viver em comunidade. “Amigo virtual” é um termo usado informalmente para se referir a pessoa com quem possuímos um certo grau de contato e intimidade virtuais, ou seja, que não vemos muito, pessoalmente, mas através de redes sociais trocamos mensagens de forma habitual.

Links úteis sobre as fake news:
http://especiais.g1.globo.com/e-ou-nao-e/2017/banco-de-boatos/#!/
https://www.apptuts.com.br/tutorial/redes-sociais/passos-para-identificar-fake-news/

Projeto de lei quer tornar crime compartilhamento de notícias falsas
https://tecnoblog.net/210998/pl-compartilhar-noticia-falsa-crime/
https://www.poder360.com.br/midia/tse-quer-que-brasil-tenha-a-1a-lei-especifica-contra-fake-news-do-mundo/

Emmanuel Macron, presidente francês, anuncia lei contra ‘fake news’
https://oglobo.globo.com/mundo/macron-anuncia-lei-contra-fake-news-22252859

Algumas fake news, publicadas na imprensa:
https://veja.abril.com.br/revista-veja/a-ameaca-das-fake-news/
http://boatos.org

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Parabéns para nós!

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