Lost – diagnóstico perfeito, remédio errado

Lost significa perdido em português. No caso da série que fez sucesso nos anos 2000, a melhor tradução seria “perdidos”. Não sei se você assistiu, mas deve ter ouvido falar, porque até hoje a série acaba sendo referência cultural para algumas situações. Hoje mesmo, várias foram as piadas que vi sobre a queda do técnico do Corinthians, o Loss (ainda bem que o Lost saiu…o Loss estava mais Lost que o pessoal da ilha….).

A série girou em torno de um avião que caiu numa ilha misteriosa. Até o final da série se descobre que a ilha é como um centro de energia, uma “caixa de pandora” que se aberta e revelada despejaria todo o mal no mundo. Guardada por Jacob, que a protege para que ela não saia de controle, descobrimos que dentre os sobreviventes que caíram na ilha um deles poderá vir a ser o novo guardião de seus segredos e seus poderes. Assim, como a maioria das séries, os mistérios, os romances, as mitologias, as filosofias, as tecnologias, enfim, são todas questões secundárias. Estou cada vez mais convencido que séries são sobre pessoas, seus medos, seus sonhos e seus anseios, funcionam como modernos consultórios de psicologia, são como designers de tendências e, porque não dizer, em alguns casos tornam-se ídolos, uma religião mesmo que ajuda alguns a viver a própria vida. Além de, óbvio, para uma grande maioria, ser simplesmente um entretenimento como as novelas e o cinema já foram um dia.

Lost apresenta a trajetória de homens e mulheres, seus dramas e traumas e como a ilha contribui para que eles cresçam, amadureçam e superem o passado. A proposta é de uma jornada espiritual até que possam romper com o plano material e definitivamente seguir em frente no pós-morte. Definitivamente não é uma proposta cristã. Tenho dito com certa frequência, para quem é mais próximo de mim, a seguinte frase: “a produção cultural em geral costuma acertar no diagnóstico, mas erra com a mesma frequência no remédio”.

Pessoas estão perdidas com suas histórias mal resolvidas com a família. Perdidas por conta de medos e traumas não solucionados com sua aparência física, baixa auto estima ou amedrontadas por conta daquilo que pensam delas. Perdidas em seus erros, vícios, crimes, violências físicas e verbais que já cometeram contra si próprias, parentes, amigos ou simples desconhecidos. Pessoas não só estão perdidas, por vezes parece mais que um estado, parece que são perdidas. Esse é o diagnóstico de uma série como Lost – dos vilões aos heróis, todos perdidos!

O remédio administrado é o autoconhecimento, a busca interior, a mudança moral para que possa encontrar um novo amanhã em um outro plano de existência enquanto aqueles que não conseguem “evoluir” estão presos nesse plano de dor e sofrimento até que possam se libertar definitivamente. Perdoe-me, mas puro placebo. O problema é o pressuposto para administrar a cura. Em outras palavras, o problema é a cosmovisão dos roteiristas e autores. Para eles, o ser humano é fruto de um processo casual e sistematicamente exposto a evolução universal, física e, por essa lógica, até mesmo espiritual. Por esse processo, o ser humano caminha para melhor, para ser mais iluminado, um ser evoluído.

Para a cosmovisão cristã, o ser humano já desfrutou de um estado de perfeição, justamente porque foi criado por Deus. Estamos (e somos) perdidos porque decidimos nos afastar de Deus, o criador poderoso e amoroso que nos criou. A decisão do afastamento (a queda) nos trouxe a morte e todas as suas consequências como “estilo de vida”. A vida longe de Deus não tem como melhorar. O ser humano torna-se “menos humano” quanto mais se afasta daquele que lhe confere imagem e semelhança. O remédio, a partir dessa leitura da história, não pode ser o autoconhecimento e a evolução moral. O remédio é o retorno à origem. É beber e comer novamente da árvore da vida. Um perdido, que para piorar está morto, não escolhe, não decide, não toma decisões que o façam melhor. Só é possível mesmo via redenção! Alguém precisa chamar o perdido à vida, alguém que seja tão sábio, tão poderoso e tão amoroso que decida investir sua própria vida e decidir fazer nova todas as coisas.

Eu e você conhecemos bem essa história e a história conheceu essa pessoa que veio para redimir a criação e a humanidade. Ele disse assim: “eu vim buscar e salvar o que estava perdido”. Nenhum homem é uma ilha, nenhuma ilha salva um homem. Homens não precisam de ilhas, homens precisam de pontes, de caminhos verdadeiros de vida. Opa! Aquele que veio salvar o perdido também disse: “eu sou o caminho, a verdade e a vida”.

Lost, todos estamos ou somos. O remédio: Jesus, o único jeito de essencialmente deixar essa condição e se reencontrar com a vida e a eternidade.

Menu
X